segunda-feira, 16 de julho de 2012

Preferência por parto normal cresce na RPT

Cesariana predomina na região, mas nascimentos naturais têm aumento; em 2009, 65,4% das crianças nasceram sem cirurgia.

Cibele Cristiane da Silva Heguedush_Portal liberal.com.br
Cibele Cristiane da Silva Heguedush com os filhos Giulia, Otávio e Joyce, todos nascidos de parto normal
Clayton Damasceno/O Liberal
.
A cesariana ainda é a queridinha das mamães na RPT (Região do Polo Têxtil), mas, nos últimos anos, cada vez mais mulheres têm optado pelo direito ao parto normal. "Nunca imaginei passar por uma cesariana. Para mim, é uma situação extraordinária", afirma a empresária Cibele Cristiane da Silva Heguedush, de 34ª nos, mãe de três filhos.

Cibele não está sozinha na luta pelo parto normal. No último mês de junho, mulheres de 23 cidades brasileiras foram às ruas manifestar apoio pelo direito de escolha ao parto domiciliar e por melhorias das condições obstétricas.

Isso para tentar mudar um quadro bastante criticado pela OMS (Organização Mundial de Saúde): no Brasil, em 2010, 52% dos partos realizados em maternidades públicas e privadas são cesarianas. A recomendação da Organização Mundial de Saúde é que esse número não supere os 15%.

Apesar do predomínio, a cesariana perdeu espaço na RPT, de acordo com dados disponíveis no banco de dados do Ministério da Saúde. Em 2009, dos 9.004 partos realizados nas unidades de saúde e maternidades nas cinco cidades da região, 43,6% foram normais, enquanto que, em 2010, essa participação representava 41,5% de 9.915 nascimentos.

Mas o jogo já mudou em duas cidades da região. Em Sumaré, há predomínio de partos normais desde 2009, quando foram 72.2% do total de atendimentos - 1.527 partos normais, contra 857 cesáreas. No ano seguinte, o percentual caiu para 64.3% - 1.496 partos normais, e 828 cesáreas.

Hortolândia segue a mesma tendência de predomínio de partos normais. Em 2009, a cidade registrou 65,4% de partos normais do total de atendimento, enquanto que em 2010 o procedimento alcançou 70% do volume de partos realizados.

A situação mais equilibrada é na cidade de Nova Odessa, onde o parto normal representou entre 50,5% e 47% do total de nascimentos realizados em 2009 e 2010, respectivamente.

Para a coordenadora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Secretaria de Saúde de Nova Odessa, Katia Cecchini, existem vários fatores que implicam na variação desses números. "Ano passado, por exemplo, realizamos cerca de 22 partos a cada mês", avalia.

O "baby boom" de 500 nascimentos no ano passado já é maior do que a soma de partos dos dois últimos anos no Hospital e Maternidade Municipal Dr. Acílio Carreon Garcia, em Nova Odessa.

O hospital realiza atendimentos de assistência primária e, de acordo com a coordenadora, as gestantes são acompanhadas nas cinco UBSs (unidades básicas de saúde) da cidade - quando classificadas como gestação de baixo risco.

Casos considerados gestação de alto risco são encaminhadas ao Hospital Estadual Dr. Leandro Franceschini, em Sumaré.

Por opção cultural, cesáreas continuam crescendo no país

Para a Febrasgo (Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia), reverter o cenário brasileiro será difícil. Há dez anos, em 2000, as cesarianas representavam 38% dos partos realizados no país. Atualmente, representam 72%.

Tornou-se cultural a opção pela cesariana, por causa de múltiplas variáveis, mas as mais relevantes são a remuneração médica e a cultura da mulher, que não quer sentir dores, de acordo com relatório da Comissão de Gestação de Alto Risco da Febrasgo.

A aceitação do parto natural, no entanto, tem aumentado, especialmente entre mulheres bem orientadas. "O corpo está preparado para isso, como o próprio nome diz, é o 'natural'", ressalta Cibele Heguedush.

Giulia (13), Joyce (10) e Otávio (4), filhos da empresária, nasceram todos de parto normal. "Cada um foi uma experiência emocionante. Na primeira vez, nem o sexo da criança eu sabia. Sempre optei por estar bem disposta logo após o nascimento da criança, porque já precisava me dedicar a cuidar do meus filhos", lembra.

Cibele acredita que muitos médicos induzem as pacientes a acreditarem que necessitam realizar uma cirurgia por causa da condição de saúde do bebê. "Não senti dificuldade, mas tive medo porque, em todas as ocasiões, todas as outras mulheres que dividiam o quarto comigo fizeram cesariana. Para mim, nunca foi uma opção", explica.

FONTE: O Liberal

0 comentários:

Postar um comentário

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Facebook Themes